sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Per rimanere semplici e sinceri (Fabrizio Bucci)


Per rimanere semplici e sinceri basta non tradire se stessi
e affrontare la vita secondo i principi nei quali si crede.

È vero che il mondo dello spettacolo è complicato, soprattutto
è vario, il che lo rende ancora più precario e insondabile.

Credo di aver trovato la mia chiave d'accesso
semplicemente cercando di fare bene il mio lavoro
e rispettando quello degli altri.
Per essere meno generico cerco sempre di offrire il massimo, nello
spirito collaborativo di partecipare a un progetto condiviso da molti,
me compreso.

I propri valori e principi non si perdono di vista, anzi vengono
messi in gioco nell'impegno e nella qualità del lavoro che svolgi.
Una certa integrità aiuta ad andare avanti.

Certo non sempre incontri gli stessi gusti in termini di valori
e principi, perciò a volte i tuoi vanno protetti o non esposti.
Ma questo non li mette mai a rischio.
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Da fanpage Facebook de Fabrizio Bucci,
o “Bruno” do filme Don Bosco,
em 19/12/2013

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

C'è un cuore che batte nel cuore di Roma


Io esco di casa ed è già mattino 
e Villa Borghese è ancora un giardino 


C'è un fiume che passa nel cuore di Roma 
mi fermo sul ponte ed io ti amo ancora 


C'è rabbia al confine di questo quartiere 
se esci di casa la puoi respirare 


C'è un fiume di gente nel cuore di Roma 
che vive e che soffre ed io ti amo ancora 


Amore mi manchi amore che fai 
in questo deserto almeno ci sei 


C'È UN CUORE CHE BATTE NEL CUORE DI ROMA 
CHE VIVE E CHE PERDE ED IO TI AMO ANCORA 

Ed è primavera, l'oleandro e l'alloro 
l'inverno è passato sei ancora da solo 



C'È UN CUORE CHE BATTE NEL CUORE DI OGNUNO 
IO CREDO NEL MONDO, IO CREDO NEL CIELO
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C'è un cuore che batte nel cuore di Roma
Antonello Venditi

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Brilhar diante de Cristo


Saciados com os vossos dons divinos,
nós vos pedimos,
ó Deus todo-poderoso,
que possamos realizar o nosso desejo
de brilhar diante de Cristo
que se aproxima
como lâmpadas acesas
pelo vosso Espírito.
Por Cristo, nosso Senhor.
Amém.
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Oração depois da Comunhão
17 de dezembro de 2013

O Céu é o limite!


domingo, 15 de dezembro de 2013

Amore Folle


Mi distogli dalla vita la mia, la nostra, quella di tutti
quella del sogno di un amore e di una casa.

Irrompi fin dentro al cuore fino a strapparci da noi stessi
sei forse una minaccia, una promessa, o una vana attesa

Chiedi l’anima e il corpo, chiedi tutto l’essere nostro
chiedi l’amore, chiedi l’amore che già ci impegna.

Quale amore vuoi? Quale amore vuoi?
Quale Amore più grande vuoi?
Squarci e dividi.
Squarcia e dividi.

Ma in totale abbandono io mi arrenderò!

Tu arrivi sempre impauri e sconcerti,
è il tuo modo di esser Dio
improvvisamente
senza regole né argini
è un amore folle.
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Amore Folle
(Canto al Re il mio poema nella Sinfonia del Sì)

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

La vertigine (L. Jovanotti)


La vertigine non è paura di cadere
ma voglia di volare!
(A vertigem não é medo de cair, mas desejo de voar)
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Mi fido di te - Lorenzo Jovanotti

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

«Senhor, espero-Vos em paz e quietude»


Não sei, Senhor, a hora escolhida;
fico pois sempre atenta e a velar
como a vossa esposa preferida,
que vosso gosto é vir sem se notar,
de longe, Vos sentirá coração purificado.

Senhor, espero-Vos em paz e quietude
com grande saudade em meu coração,
com sede de invencível beatitude.
Do meu amor convosco, a mutação,
qual chama ao Céu, no fim da vida, elevada,
e, então, em todos meus desejos realizada.

Vinde depressa, meu Senhor dulcíssimo,
e transportai meu coração sedento
para junto de Vós, ao Céu altíssimo,
onde a vossa eterna Vida tem assento.

Que a vida na terra é contínua agonia,
E meu coração p’ras alturas foi criado,
Com os planos da vida, nada se importaria.
A pátria é o Céu, eis o que tenho bem firmado.
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Santa Faustina Kowalska (1905-1938), religiosa
Diário, § 1589 

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Obrigado, Papai Noel!


Porto Alegre/RS, 04 de dezembro de 2013.

Querido Papai Noel!

Mesmo sabendo que nesta época do ano o senhor está muito ocupado com milhares de pedidos, peço-lhe que leia esta carta de agradecimento... É que, pensando bem, acho que eu e toda a Comunidade Educativo-Pastoral do Colégio Salesiano Dom Bosco de Porto Alegre/RS lhe devemos alguns “muito obrigado”!
Muito obrigado pelo fato da sua visita tornar todos mais alegres: roupas novas são compradas; as casas são faxinadas e decoradas com motivos de cor e luz; os alimentos do dia-a-dia são acrescidos de produtos diferentes, até aonde o orçamento permite; famílias e amigos se encontram para momentos de confraternização (“o meu amigo secreto é...”), mesmo que precisem viajar muito; presentes são trocados e todo mundo ganha e dá o seu, nem que seja bem simplezinho; as lojas ficam mais bonitas...
Muito obrigado por fazer com que a solidariedade seja uma constante, nem que seja só por agora e geralmente acompanhada de lágrimas! Não há quem resista a ajudar outra pessoa nesta época, ainda mais quando há um fundo musical emocionante ou um filme natalino por perto: cestas básicas são distribuídas aos montes; roupas e calçados saem dos armários são encaminhadas pra doação; brinquedos recolhidos em campanhas fazem a festa das crianças pobres; as gorjetas ficam mais generosas!
Muito obrigado por nos alertar da sempre e necessária busca da paz! Cartões, mensagens telefônicas e virtuais, painéis e músicas pedem a paz para todo o mundo: para os conflitos armados internacionais; para as brigas entre as torcidas organizadas; para os bairros nobres e as vilas pobres; para os dominados por algum tipo de vício; para as famílias em crise; até mesmo para os pátios e todos os ambientes da nossa escola!
E o mais importante: muito obrigado por nos permitir lhe acompanhar na sua visita mais especial e para a qual não levas presentes, mas os recebes: sua visita ao Menino Jesus! Sabemos que todos os anos vens visitar aquele que um dia esteve em nosso meio e que agora vive no coração das pessoas, ensinando-as a serem solidárias, felizes e de paz... Inclusive o senhor! Aliás, não foi numa das festas de aniversário dele, num Natal e quando seu nome ainda era Nicolau, que o senhor começou suas atividades, ajudando uma moça pobre que ia se casar?!?
Ah! Muito obrigado, também, pelo fato da sua visita conseguir com que as pessoas escutem bem mais música, com temas natalinos; aprimorem o canto e aprendam outras línguas, para poder cantar Jingle Bells em inglês, Otanen baun em alemão, Adeste fideles em latim; freqüentem mais as Igrejas, até mesmo a "Missa do Galo" à meia-noite; desenvolvam-se na arte da interpretação, seja nas representações do nascimento de Jesus, seja tentando te imitar!
Obrigado por tudo! Seu trabalho pode ser cansativo, mas está ajudando a humanidade a ser melhor, como o próprio Jesus queria! Se ainda for possível, gostaríamos de te fazer um pedido: que o ano de 2014 seja cheio de vida digna pra todo mundo, especialmente para os mais pobres!

Um grande abraço de todos educandos e educadores de nosso Colégio!

                                                                                                        Pe. Gilson, SDB.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

É das crianças o Reino dos Céus (Mt 19,14)


Foram-lhe apresentadas, então,
 algumas criancinhas
para que pusesse as mãos sobre elas
e orasse por elas.
Os discípulos, porém, as afastavam.
Disse-lhes Jesus:
Deixai vir a mim estas criancinhas
e não as impeçais,
porque o Reino dos céus
é para aqueles que se lhes assemelham.

(Evangelho de Mateus 19,13-14)

A cerveja, a comida e um corpo estendido no chão


Há poucos dias, um jovem foi assassinado a tiros na praça da Gentilândia (Fortaleza-CE). A repercussão na cidade não foi grande. Apenas mais um homicídio. O caso virou notícia de rodapé de jornal. Do tipo que tem todo santo dia. Também deve ter saído nos programas policiais que servem defuntos na hora do almoço.

O noticiário informa que foi mais um homicídio de um tipo que se tornou muito comum. Possivelmente, segundo a PM, o caso se relaciona com o tráfico de drogas. A área foi isolada pela PM. Coberto por um lençol, o corpo passou horas estendido no chão.

No dia seguinte, alguém colocou nas redes sociais uma foto retratando uma exdrúxula situação. Na imagem, mesas e cadeiras fora da área isolada. Gente comendo, bebendo, se divertindo. Há poucos metros, o corpo.

Notem que o defunto sob o lençol é apenas um componente a mais da paisagem. Ninguém parece incomodado com o intruso e sua poça de sangue. Desconfiei da imagem. Não acreditei que as pessoas fossem tão frias a ponto de continuar em suas mesas, tomando cerveja, comendo sanduíche e mirando a vítima.

Sim sei que a morte a vida estão banalizadas em Fortaleza e adjacências. Vez ou outra, vejo na TV as crianças se divertindo para as câmeras diante de mais um assassinato na vizinhança. Mas, adultos impassíveis, serenos, comendo e bebendo indiferentes diante do corpo que jazia é um quadro que eu não queria crer como real.

Desconfiado, pesquisei e encontrei outras fotos de outros ângulos. Ficou claro que não era montagem. Sim, já é possível comer um salgado, tomar uma cerveja e bater um papo diante de um corpo a espera da perícia e do rabecão. Chegamos a esse terrível e triste ponto.

O assassinato em questão se deu no início da noite de quinta-feira da semana passada. Na segunda-feira seguinte, o noticiário dizia que ocorreram 34 homicídios na Grande Fortaleza entre a noite de sexta-feira e a noite de domingo. É provável que cenas similares tenham se reproduzido outras vezes.

Nada pode ser mais preocupante que a indiferença diante da morte. É o principal sintoma de uma sociedade deteriorada. No vácuo da autoridade pública, que nem sequer lamenta a montanha de mortos, muitos naturalizam a violência. Outros passam a incentivar os linchamentos.

E assim caminhamos. Não sei exatamente para onde, mas não pode ser um bom futuro se a vida, bem maior da humanidade, não vale o preço se um salgadinho frio.

(Fonte: Fábio Campos, Jornal O Povo)

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

O Ser Humano tem dívida impagável ao Menino


         Com certeza, de início a fim, 2013 foi ano perturbado econômica, política e socialmente para os brasileiros. Cada um experimenta emoções diversas, ao avaliar o que planejou e o que por alguma razão não realizou nesses últimos 365 dias. Independente de qualquer obstáculo, sacrifício e circunstância desafiadora, o tempo foi tão veloz que é difícil entendê-lo cronológica e microscopicamente. Não adianta lamentações, o tempo passa, não retorna e não espera; permanecem obras, ou os prejuízos e sofrimentos por falta delas.

Na face da terra, a maior obra amorosa é o nascimento do filho do Pai da Eternidade. Natal exalta amor, fraternidade, respeito, alegria, reconciliação, paz, caridade e esperança. Nessa festividade e todos os dias, letrados e iletrados, graduados e subalternos, sem distinção de credo, raça, cor,  idade e estratos, devemos, no mínimo, gratidão ao Menino Jesus pela proteção,  felicidade e salvação.

Estar de mãos dadas com o aniversariante e com o próximo, 25 de dezembro, é repousar a alma e o coração em pensamentos positivos e valores que harmonizam, equilibram e geram bem estar pessoal e coletivo. É essencial deixar a mente amadurecer e se desfazer de posses sem importância para viver bem 2014. Seguramente, o corpo fica mais leve, a razão corrige distorções, o espírito mergulha em metas reais e tudo o que é fútil se despedaça no tempo e no espaço.

É impossível viver o Natal e testemunhar a chama da fé cristã, traindo e enganando pais e filhos, familiares e amigos, professores e alunos, empregadores e colaboradores, governantes e sociedade. A mentira é causa de injustiças, prejuízos, dores e tribulações. No sentido axiológico, cresce a desconfiança entre o que é verdadeiro e o que é falso de tudo o que se lê e ouve. Descrença desgasta ânimos pessoais e familiares. Confusão política desacelera crescimento econômico e realização humana. Desavenças entre Poderes confundem decisões no dia seguinte. Em suma, a vida do cidadão não é plena, diante de incertezas e insegurança advindas do Estado.

Prosperidade, justiça, paz e mais saúde resultam de trabalho produtivo, gestão efetiva, educação integral inovadora, ética, empreendedorismo e espiritualidade. Deus criou a vida e o Menino Jesus salvou as criaturas. Natal não é magia e nem sonho, é realidade planejada e encarnada. Quem passa 25 de dezembro e não agradece o autor da vida e não se reconcilia com o irmão, passa o dia apenas, mas não vive e nem compreende a dimensão do amor, da liberdade e da transcendência.
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Pedro Antônio Bernardi
pedro.professor@gmail.com

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Sobre o pecado (Clemente de Alexandria)


Ninguém se questiona
quando é para cometer um pecado,
antes já entregam-se a ele.
Ao contrário,
quando diz respeito a Deus,
questiona-se se convém segui-lo.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

DAVI ARAGÃO DA SILVA


Senhor nosso Deus,
que da boca das crianças recebestes o louvor do vosso nome,
olhai benignamente para

DAVI ARAGÃO DA SILVA,

filho de Gustavo e Patrícia
que a fé da Igreja recomenda à vossa imensa piedade;
e assim como o vosso Filho, nascido da Virgem Maria,
recebia de boa vontade as crianças, as abençoava e abraçava,
e as propunha a todos como exemplo a imitar,
assim também, Pai santo,
DERRAMAI SOBRE ELE A VOSSA BÊNÇÃO,
para que, à medida que vai crescendo,
por meio da sã convivência com as pessoas maiores
e com a assistência do Espírito Santo,
se torne testemunha de Cristo no mundo
e seja mensageira e defensora da fé que professa.
Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,
que é Deus conosco na unidade do Espírito Santo.
Amém.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Contra as três ''libidos'', resistir, resistir, resistir!




Não é possível a edificação de uma personalidade humana e espiritual robusta sem a luta interior, sem um exercício ao discernimento entre bem e mal, de modo a chegar a dizer "sins" convencidos e "nãos" eficazes: "sim" ao que podemos ser e fazer para viver uma vida humana digna desse nome; "não" às pulsões idolátricas e egocêntricas que nos alienam e contradizem as nossas relações com nós mesmos, com os outros e com as coisas e, para quem crê, com Deus: relações chamadas a ser marcadas por liberdade e amor.
Nesse sentido, eu gostaria de analisar três dominantes fundamentais que atuam sobre as esferas humanas do amar, do ter e do querer: a dominante do eros (libido amandi), a dominante da posse (libido possidendi), a dominante do poder e da afirmação de si (libido dominandi).
O homem encontra o sentido da sua vida no amar, e o eros é a pulsão fundamental que o habita, é parte integrante da sua fome de amor. No entanto, ele também deve encontrar limites, isto é, deve ser atravessado pela dinâmica do desejo. O eros deve aceitar a diferença e a distância: não é por acaso que o interdito primário fundamental em todas as culturas é o do incesto.
Em um tempo em que a imagem é galopante, enquanto se perdeu o valor do símbolo, o eros é mais espetacularizado do que vivido na suas profundidade. E talvez esteja aqui, na atual tirania da imagem, a raiz da idolatria da esfera erótica: a idolatria é construção de uma imagem para substituir a realidade, é fuga no imaginário, perdendo a adesão à realidade e evitando também as dificuldades, os sofrimentos, as angústias que ela traz consigo. Na imagem publicizada, a sexualidade é vivida sem angústias, sem conflitos: eis a ilusão sedutora do erotismo tornado ídolo, às custas de uma sexualidade despersonalizada, sem mais nenhum valor simbólico, sem o outro, sem o seu rosto. Nesse sentido, não se pode esquecer o imperante exercício da sexualidade virtual, consumida online, além da pornografia disponível na rede sob várias formas...
Como lutar nesse âmbito? O dominante do eros deve fugir da coisificação do outro e da perversão do desejo, para voltar a ser dinamismo de encontro e imersão no mistério de comunhão em que o homem e a mulher expressam o seu amor, até celebrá-lo naquela que João Paulo II ousava chamar de "liturgia dos corpos". Nesse caminho, é preciso se exercitar na ascese humana, na luta contra a despersonalização da pulsão e a reificação da sexualidade.
O ser humano não tem só o direito, mas também o dever de viver uma relação com as coisas e com os bens: sem essa relação que lhe permite satisfazer a necessidade de pão, de casa e de roupas, o homem não constrói a si mesmo e não vive aquela plenitude que lhe cabe como homem e que a fé cristã lê como vocação para ser pastor, rei e senhor dentro da criação.
No entanto, nessa relação com as coisas, é grande a tentação idolátrica, a sedução do anseio pela posse. Mas quando a relação com as coisas se torna idolátrica? Quando a posse se torna um fim em si mesmo, justificando também qualquer meio a fim de obtê-lo, quando se quer afirmar "o meu" e "o teu" – essas frias palavras, diziam os Padres da Igreja! –, contradizendo uma elementar exigência de justiça e desconhecendo o destino universal dos bens. Há, portanto, um claro discernimento a ser feito: ou sermos guiados pelo dinamismo da comunicação e da comunhão, ou sermos alienados pela dominante da posse, tertium non datur.
Neste tempo de crise da interioridade, de remoção da interioridade da esfera da existência, grande é a tentação de se deixar definir por aquilo que se tem, ou, correlativamente, por que se faz, em suma, por aquilo que é visível e quantificável, por aquilo que é exterior: pela imagem que o outro vê. Cada vez mais, nesse pseudocultura, o outro é entendido não como diferente com o qual se pode comunicar, mas como espectador: em particular espectador do meu sucesso, da minha riqueza.
Certamente, o anseio por possuir responde a uma forma de angústia e de luta contra a morte, a uma busca de onipotência e de tranquilização que vêm da sensação de poder adquirir tudo, eliminar as necessidades satisfazendo-as imediatamente. Afinal, vivemos em um canto do mundo em que é possível a satisfação de qualquer necessidade, mas em que se perdeu o sentido da autêntica necessidade, da necessidade real: muitas vezes, as necessidades são induzidas, criadas, mas exigem, com toda a força do ídolo, uma força que repousa em uma radical inconsistência, a satisfação.
Começa-se a desejar a posse de uma coisa e, pouco a pouco, o anseio por possuir leva a não considerar os outros: quer-se tudo e já, mesmo às custas dos outros. Esse aspecto surge com força particular da constatação do sentimento generalizado de irresponsabilidade com relação àqueles que virão depois de nós. O "tudo e já" se torna também "tudo é meu", "tudo é nosso".
Aqui, a luta exige da parte de cada um a capacidade de pôr uma distância entre si mesmo e as riquezas, para não cair no terrível equívoco daqueles que se deixam definir por aquilo que possuem. É preciso sair da lógica estreita e angustiada do "meu" e do "teu", para entrar na liberdade da partilha e da comunhão dos bens.
A última tentação "mãe" é a do poder, da afirmação de si sobre os outros: a libido dominandi, talvez o ídolo que requer a adoração mais total, quando chega até a exigir o sangue dos outros nossos irmãos e irmãs em humanidade. Não por acaso, para o Apocalipse de João, esse ídolo chega a assumir os traços do próprio Deus (cf. Ap 13), a se travestir de Deus para ver voltadas a si a adesão e a adoração que devem ir somente a Deus.
Ora, é evidente que o homem é um ser-em-relação e, por conseguinte, exerce uma influência sobre os outros, pelos quais, por sua vez, é influenciado: desse jogo relacional brota a criação de uma vida comum, a construção de uma cidade, de uma polis, a edificação de uma convivência. Mas quando se passa da lógica da inter-relação e da troca – em que a presença dos outros é vista como positiva e sentida como essencial – a uma afirmação de si contra ou acima dos outros, quando se transforma o próprio eu em absoluto, quando nos deixamos inebriar pela sede de poder, então se precipita na idolatria.
Se não for freada e se não receber um limite, a libido dominandi se torna o ídolo mais devastador em nível social e político. Segundo Julia Kristeva, ele é a forma culminante do narcisismo e leva o indivíduo ou o sujeito político ou institucional a olhar para si mesmo como para Deus. Mas o resultado sociopolítico de um narcisismo extremo é o poder totalitário, ditatorial. Uma instituição, um partido, um sistema que faça de si mesmo e da sua própria sobrevivência o único fim ou, melhor, que se considere depositário do único e verdadeiro bem para todos, bem que, portanto, poderá e deverá ser imposto a todos, torna-se liberticida. Isto é, incapaz de aceitar que haja quem tome e mantenha uma distância dele, que conserve uma alteridade, uma diversidade.
Não por acaso, uma sociedade como a nossa, em forte condição de instabilidade e de crise, carente de ideais coletivos, esfacelada no seu tecido social, com perda de confiança nas instituições políticas, vê surgir o culto à personalidade e crescer os fenômenos de personalização e de espetacularização de todos os poderes. E torna-se assim terreno de possíveis soluções políticas "idolátricas".
Diante desses riscos decisivos, a luta interior é o caminho através do qual, no espaço da liberdade e do amor, aprende-se a arte da resistência à tentação e da arte da escolha. Ter um coração unificado, um coração puro, sensível e capaz de discernimento, um coração que cuide e gere pensamentos de amor: eis o objetivo do combate e da resistência interior, arte realmente apaixonante. É necessária uma grande luta anti-idolátrica para sermos livres para servir e amar cada homem, cada mulher, cada criatura; em suma, para chegar a fazer da nossa vida humana uma obra-prima.
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Artigo de Enzo Bianchi
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/524266-contra-as-tres-libidos-resistir-resistir-resistir-artigo-de-enzo-bianchi