quinta-feira, 20 de junho de 2013

Fiat voluntas tuas


A vida humilde, a fidelidade inabalável,
a modéstia nas palavras, a justiça nas ações,
a misericórdia nas obras, a disciplina nos costumes;
o não fazer injúrias; o tolerar as recebidas;
o manter a paz com os irmãos;
o amar a Deus de todo o coração;
o amá-lo por ser Pai; o temê-lo por ser Deus;
o nada absolutamente antepor a Cristo,
pois também ele não antepôs coisa alguma a nós;
o aderir inseparavelmente à sua caridade;
o estar ao pé de sua cruz com coragem e confiança,
quando se tratar de luta por seu nome e sua honra,
o mostrar firmeza ao confessá-lo por palavras,
e, no interrogatório,
o manter a confiança naquele por quem combatemos,
e, na morte, o conservar a paciência que nos coroará,
tudo isto é querer ser co-herdeiro de Cristo,
é cumprir o preceito de Deus,
é realizar a vontade do Pai.
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Do Tratado sobre a Oração do Senhor, de São Cipriano,
bispo e mártir no séc. III

domingo, 16 de junho de 2013

No Céu, seremos só amantes!




No céu,
os militantes,
os padecentes
e os triunfantes
seremos só amantes!
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Adélia Prado
(poema de “Oráculos de Maio”)

segunda-feira, 10 de junho de 2013

«Deles é o Reino do Céu»


(Monte da Bem-Aventuranças / Tiberíades - 03/09/2011) 

«Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.» Enquanto tudo corre à medida dos seus desejos, não se consegue saber quanta paciência e humildade tem um servo de Deus. Venham porém os tempos em que aqueles que lhe deviam respeitar a vontade a contrariam; a  paciência será a que efetivamente tiver, e nada mais.

«Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu.» Há muitos que se entregam a longas orações e ofícios, e infligem ao corpo frequentes mortificações e abstinências. Mas por palavra que lhes pareça afronta ou injustiça, ou por coisa mais insignificante que lhes seja tirada, logo se indignam e perdem a paz da alma. Estes não são os verdadeiros pobres em espírito; o verdadeiro pobre em espírito é o que renuncia a si mesmo e não quer mal a quem lhe bate no rosto (Mc 8,34; Mt 5,39).

«Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.» Verdadeiros pacificadores são os que, apesar de todo o sofrimento por que hão-de passar por amor a nosso Senhor Jesus Cristo, conservam a alma e o corpo em paz.

«Felizes os puros de coração, porque verão a Deus.» Têm verdadeiramente o coração puro os que desprezam os bens da Terra, os que procuram os do Céu e, purificados assim de quaisquer amarras da alma e do coração, adoram e contemplam incessante e unicamente o Senhor Deus, vivo e verdadeiro. 

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São Francisco de Assis (1182-1226),
Admonições, §§13-17

sábado, 8 de junho de 2013

Dar tudo porque Cristo deu tudo



Francisco, pobrezinho e pai dos pobres, queria viver em tudo como pobre; sofria quando encontrava alguém mais pobre que ele, não por vaidade mas por causa da terna compaixão que os pobres lhe causavam. Só queria uma túnica de tecido grosseiro e muito comum; ainda assim acontecia-lhe várias vezes partilhá-la com algum infeliz. No entanto, era um pobre muito rico pois, movido pela sua grande caridade a socorrer os pobres sempre que podia, quando estava muito frio, ia ter com os ricos deste mundo e pedia-lhes que lhe emprestassem um sobretudo ou um casaco. Traziam-lhos mais depressa do que a pressa que ele se tinha dado em fazer o pedido. Ele então dizia: «Aceito com a condição de não esperarem que vo-los devolva.» E, com o coração em festa, Francisco oferecia o que acabava de receber ao primeiro pobre que encontrava. 

Nada lhe causava mais pena do que ver insultar um pobre ou que dissessem mal de qualquer criatura. Um dia, um irmão deixou escapar umas palavras que magoaram um pobre que pedia esmola: «Não serás por acaso um rico a fingir de pobre?» Estas palavras caíram muito mal a Francisco, o pai dos pobres, que infligiu ao delinquente uma terrível reprimenda e lhe ordenou que se despojasse das suas vestes na presença do pobre e lhe beijasse os pés, pedindo-lhe perdão. «Quem fala mal a um pobre, dizia, injuria a Cristo, de quem o pobre é o mais nobre símbolo neste mundo, uma vez que Cristo por nós Se fez pobre neste mundo» (cf 2Cor 8,9). 

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 Tomás de Celano (1190-1260), biógrafo de São Francisco e de Santa Clara
«Vita prima» de São Francisco, §76 

terça-feira, 4 de junho de 2013

A alma se fortalece à medida em que caminha



A alma se fortalece à medida em que caminha,
faz-se mais corajosa em suportar
todas as coisas duras que lhe advêm.

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Das Instruções de São Doroteu,
abade no séc. VI

O motivo de toda perturbação



Negligentes e amantes da vida cômoda,
esperamos e acreditamos andar pelo caminho reto,
apesar de impacientíssimos em tudo,
sem nunca querer acusar-nos a nós mesmos.
É isto o que acontece.
Por mais virtudes que alguém possua,
ainda mesmo inúmeras e infinitas,
se abandonar este caminho,
jamais terá sossego,
mas sempre estará perturbado 
ou perturbará a outros e perderá todo o trabalho.

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Das Instruções de São Doroteu,
abade no séc. VI

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Da Leitura breve (Hora Média) do 9º Domingo do Tempo Comum


"O que o homem tiver semeado,
é isso que vai colher.
Quem semeia na sua própria carne,
da carne colherá corrupção.
Quem semeia no espírito,
do espírito colherá a vida eterna”.

(Da Carta aos Gálatas 6,7b-8)

sábado, 1 de junho de 2013

Oração para pedir a cura interior


Senhor Jesus,
que vieste para curar os corações feridos e atribulados,
peço que cure os traumas que provocam a perturbação no meu coração;
peço, especialmente, que cures os que são causa de algum pecado.
Entra, Senhor, na minha vida, e cura os traumas psíquicos
que me foram causados na infância e cujas feridas resistem ao longo do tempo:
eu os coloco todos no Teu coração de Bom Pastor.
Peço, pela grande chaga aberta em Teu Sagrado Coração,
que cures as pequenas feridas do meu coração:
cura, Senhor, as feridas da minha memória,
para que nada do que me aconteceu no passado
me faça permanecer na dor e na angústia;
cura, Senhor, as feridas que na minha vida foram causadas pelas raízes do pecado;
quero perdoar a todas as pessoas que me ofenderam ou que me fizeram sofrer;
libertai-me da ferida interior que me torna incapaz de perdoar.
Senhor, Tu vieste para curar os corações atribulados:
cura o meu coração, cura aquelas feridas íntimas que são a causa de doenças físicas.
Eu Te ofereço o meu coração:
aceitai-o, purifica-o, e dá-me os sentimentos do Teu bondoso Coração.
Concede-me a cura da dor que me oprime pela perda dos meus entes queridos:
dá-me a graça de readquirir a paz e a alegria,
na certeza de que Tu és a Ressurreição e a Vida.
Faz com que eu me torne testemunha autêntica da Tua vitória
sobre o pecado e a morte, da Tua presença viva no meio de nós.
Amém.