domingo, 19 de outubro de 2014

"Credo" do Povo de Deus (do Beato Papa Paulo VI)


1. Cremos em um só Deus - Pai, Filho e Espírito Santo - Criador das coisas visíveis - como este mundo, onde se desenrola nossa vida passageira -, Criador das coisas invisíveis - como são os puros espíritos, que também chamamos anjos-, Criador igualmente, em cada homem, da alma espiritual e imortal.
2. Cremos que este Deus único é tão absolutamente uno em sua essência santíssima como em todas as suas demais perfeições: na sua onipotência, na sua ciência infinita, na sua providência, na sua vontade e no seu amor. Ele é Aquele que é, conforme Ele próprio revelou a Moisés (cf. Ex 3,14); Ele é Amor como nos ensinou o Apóstolo São João (cf. 1Jo 4,8); de tal maneira que estes dois nomes - Ser e Amor - exprimem inefavelmente a mesma divina essência Daquele que se quis manifestar a nós e que, habitando uma luz inacessível (cf 1Tm 6,16), está, por si mesmo, acima de todo nome, de todas as coisas e de todas as inteligências criadas. Só Deus pode dar-nos um conhecimento exato e pleno de si mesmo, revelando-se como Pai, Filho e Espírito Santo, de cuja vida eterna somos pela graça chamados a participar, aqui na terra, na obscuridade da fé, e, depois da morte, na luz sempiterna. As relações mútuas, que constituem eternamente as Três Pessoas, sendo, cada uma delas, o único e mesmo Ser Divino, perfazem a bem-aventurada vida íntima do Deus Santíssimo, infinitamente acima de tudo o que podemos conceber à maneira humana. Entretanto, rendemos graças à Bondade divina pelo fato de poderem numerosíssimos crentes dar testemunho conosco, diante dos homens, sobre a unidade de Deus, embora não conheçam o mistério da Santíssima Trindade.
3. Cremos, portanto, em Deus Pai que desde toda a eternidade gera o Filho; cremos no Filho, Verbo de Deus que é eternamente gerado; cremos no Espírito Santo, Pessoa incriada, que procede do Pai e do Filho como Amor sempiterno de ambos. Assim nas três Pessoas Divinas que são igualmente eternas e iguais entre si, a vida e a felicidade de Deus perfeitamente uno superabundam e se consumam na superexcelência e glória próprias da Essência incriada; e sempre se deve venerar a unidade na Trindade e a Trindade na unidade.
4. Cremos em Nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus. Ele é o Verbo eterno, nascido do Pai antes de todos os séculos e consubstancial ao Pai, homoousious to Patri. Por Ele tudo foi feito. Encarnou por obra do Espírito Santo, de Maria Virgem, e se fez homem. Portanto, é igual ao Pai, segundo a divindade, mas inferior ao Pai, segundo a humanidade, absolutamente uno, não por uma confusão de naturezas (que é impossível), mas pela unidade da pessoa.
5. Ele habitou entre nós, cheio de graça e de verdade. Anunciou e fundou o Reino de Deus, manifestando-nos em si mesmo o Pai. Deu-nos o seu mandamento novo de nos amarmos uns aos outros como Ele nos amou. Ensinou-nos o caminho das bem-aventuranças evangélicas, isto é: a ser pobres de espírito e mansos, a tolerar os sofrimentos com paciência, a ter sede de justiça, a ser misericoridosos, puros de coração e pacíficos, a suportar perseguição por causa da virtude. Padeceu sob Pôncio Pilatos, Cordeiro de Deus que carregou os pecados do mundo, e morreu por nós pregado na Cruz, trazendo-nos a salvação pelo seu Sangue redentor. Foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia pelo seu próprio poder, elevando-nos por esta sua ressurreição a participarmos da vida divina que é a graça. Subiu ao céu, de onde há de vir novamente, mas então com glória, para julgar os vivos e os mortos, a cada um segundo os seus méritos: os que corresponderam ao Amor e à Misericórdia de Deus irão para a vida eterna; porém os que os tiverem recusado até a morte serão destinados ao fogo que nunca cessará. E o seu reino não terá fim.
6. Cremos no Espírito Santo, Senhor que dá a vida e que com o Pai e o Filho é juntamente adorado e glorificado. Foi Ele que falou pelos profetas e nos foi enviado por Jesus Cristo, depois de sua ressurreição e ascensão ao Pai. Ele ilumina, vivifica, protege e governa a Igreja, purificando seus membros, se estes não rejeitam a graça. Sua ação, que penetra no íntimo da alma, torna o homem capaz de responder àquele preceito de Cristo: "Sede perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste" (cf. Mt 5,48).
7. Cremos que Maria Santíssima, que permaneceu sempre Virgem, tornou-se Mãe do Verbo Encarnado, nosso Deus e Salvador, Jesus Cristo; e que por motivo desta eleição singular, em consideração dos méritos de seu Filho, foi remida de modo mais sublime, e preservada imune de toda a mancha do pecado original; e que supera de longe todas as demais criaturas, pelo dom de uma graça insigne.
8. Associada por um vínculo estreito e indissolúvel aos mistérios da Encarnação e da Redenção, a Santíssima Virgem Maria, Imaculada, depois de terminar o curso de sua vida terrestre, foi elevada em corpo e alma à glória celestial; e, tornada semelhante a seu Filho, que ressuscitou dentre os mortos, participou antecipadamente da sorte de todos os justos. Cremos que a Santíssima Mãe de Deus, nova Eva, Mãe da Igreja, continua no céu a desempenhar seu ofício materno, em relação aos membros de Cristo, cooperando para gerar e desenvolver a vida divina em cada uma das almas dos homens que foram remidos.
9. Cremos que todos pecaram em Adão; isto significa que a culpa original, cometida por ele, fez com que a natureza, comum a todos os homens, caísse num estado no qual padece as consequências dessa culpa. Tal estado já não é aquele em que no princípio se encontrava a natureza humana em nossos primeiros pais, uma vez que se achavam constituídos em santidade e justiça, e o homem estava isento do mal e da morte. Portanto, é esta natureza assim decaída, despojada de dom da graça que antes a adornava, ferida em suas próprias forças naturais e submetidas ao domínio da morte, é esta que é transmitida a todos os homens. Exatamente neste sentido, todo homem nasce em pecado. Professamos pois, segundo o Concílio de Trento, que o pecado original é transmitido juntamente com a natureza humana, pela propagação e não por imitação, e se acha em cada um como próprio.
10. Cremos que Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo Sacrifício da Cruz, nos remiu do pecado original e de todos os pecados pessoais, cometidos por cada um de nós; de sorte que se impõe como verdadeira a sentença do Apóstolo: "onde abundou o delito, superabundou a graça" (cf. Rm 5,20).
11. Cremos professando num só Batismo, instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo para a remissão dos pecados. O Batismo deve ser administrado também às crianças que não tenham podido cometer por si mesmas pecado algum; de modo que, tendo nascido com a privação da graça sobrenatural, renasçam da água e do Espírito Santo para a vida divina em Jesus Cristo.
12. Cremos na Igreja una, santa, católica e apostólica, edificada por Jesus Cristo sobre a pedra que é Pedro. Ela é o Corpo Místico de Cristo, sociedade visível, estruturada em órgãos hierárquicos e, ao mesmo tempo, comunidade espiritual. Igreja terrestre, Povo de Deus peregrinando aqui na terra, e Igreja enriquecida de bens celestes, germe e começo do Reino de Deus, por meio do qual a obra e os sofrimentos da Redenção continuam ao longo da história humana, aspirando com todas as forças a consumação perfeita, que se conseguirá na glória celestial após o fim dos tempos. No decurso do tempo, o Senhor Jesus forma a sua Igreja pelos Sacramentos que emanam de sua plenitude. Por eles a Igreja faz com que seus membros participem do mistério da Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, pela graça do Espírito Santo que a vivifica e move. Por conseguinte, ela é santa, apesar de incluir pecadores no seu seio; pois em si mesma não goza de outra vida senão a vida da graça. Se realmente seus membros se alimentam dessa vida, se santificam; se dela se afastam, contraem pecados e impurezas espirituais, que impedem o brilho e a difusão de sua santidade. É por isso que ela sofre e faz penitência por esses pecados, tendo o poder de livrar deles a seus filhos, pelo Sangue de Cristo e pelo dom do Espírito Santo.
13. Herdeira das promessas divinas e filha de Abraão segundo o Espírito, por meio daquele povo de Israel, cujos livros sagrados guarda com amor e cujos Patriarcas e Profetas venera com piedade; edificada sobre o fundamento dos Apóstolos, cuja palavra sempre viva e cujos poderes, próprios de Pastores, vem transmitindo fielmente de geração em geração, no sucessor de Pedro e nos Bispos em comunhão com ele; gozando enfim da perpétua assistência do Espírito Santo, a Igreja tem o encargo de conservar, ensinar, explicar e difundir a Verdade que Deus revelou aos homens, veladamente de certo modo pelos Profetas, e plenamente pelo Senhor Jesus. Nós cremos todas essas coisas que estão contidas na Palavra de Deus por escrito ou por tradição, e que são propostas pela Igreja, quer em declaração solene quer no Magistério ordinário e universal, para serem cridas como divinamente reveladas. Nós cremos na infalibilidade de que goza o Sucessor de Pedro, quando fala ex cathedra, como Pastor e Doutor de todos os cristãos e que reside também no Colégio dos Bispos, quando com o Papa exerce o Magistério supremo.
14. Cremos que a Igreja, fundada por Cristo e pela qual Ele orou, é indefectivelmente una, na fé, no culto e no vínculo da comunhão hierárquica. No seio desta Igreja, a riquíssima variedade dos ritos litúrgicos e a diversidade legítima do patrimônio teológico e espiritual ou de disciplinas peculiares, longe de prejudicar a unicidade, antes a declaram.
15. Reconhecendo também que fora da estrutura da Igreja de Cristo existem muitos elementos de santificação e de verdade, que como dons próprios da mesma Igreja impelem à unidade católica, e crendo, por outra parte, na ação do Espírito Santo que suscita em todos os discípulos de Cristo o desejo desta unidade, esperamos que os cristãos que ainda não gozam da plena comunhão com a única Igreja, se unam afinal num só rebanho sob um único Pastor.
16. Cremos que a Igreja é necessária para a Salvação, pois só Cristo é o Mediador e caminho da salvação, e Ele se torna presente a nós no seu Corpo que é a Igreja. Mas o desígnio divino da Salvação abrange a todos os homens; e aqueles que, ignorando sem culpa o Evangelho de Cristo e sua Igreja, procuram todavia a Deus com sincero coração, e se esforçam, sob o influxo da graça, por cumprir com obras a sua vontade, conhecida pelo ditame da consciência, também esses, em número aliás que somente Deus conhece, podem conseguir a salvação eterna.
17. Cremos que a Missa, celebrada pelo sacerdote, que representa a pessoa de Cristo, em virtude do poder recebido no sacramento da Ordem, e oferecida por ele em nome de Cristo e dos membros do seu Corpo Místico, é realmente o Sacrifício do Calvário, que se torna sacramentalmente presente em nossos altares. Cremos que, como o Pão e o Vinho consagrados pelo Senhor, na última ceia, se converteram no seu Corpo e Sangue, que logo iam ser oferecidos por nós na Cruz; assim também o Pão e o Vinho consagrados pelo sacerdote se convertem no Corpo e Sangue de Cristo que assiste gloriosamente no céu. Cremos ainda que a misteriosa presença do Senhor, debaixo daquelas espécies que continuam aparecendo aos nossos sentidos do mesmo modo que antes, é uma presença verdadeira, real e substancial.
18. Neste sacramento, pois, Cristo não pode estar presente de outra maneira a não ser pela mudança de toda a substância do pão no seu Corpo, e pela mudança de toda a substância do vinho no seu Sangue, permanecendo apenas inalteradas as propriedades do pão e do vinho, que percebemos com os nossos sentidos. Esta mudança misteriosa é chamada pela Igreja com toda a exatidão e conveniência transubstanciação. Assim, qualquer interpretação de teólogos, buscando alguma inteligência deste mistério, para que concorde com a fé católica, deve colocar bem a salvo que na própria natureza das coisas, isto é, independentemente do nosso espírito, o pão e o vinho deixaram de existir depois da consagração, de sorte que o Corpo adorável e o Sangue do Senhor Jesus estão na verdade diante de nós, debaixo das espécies sacramentais do pão e do vinho, conforme o mesmo Senhor quis, para se dar a nós em alimento e para nos associar pela unidade do seu Corpo Místico.
19. A única e indivísivel existência de Cristo nosso Senhor, glorioso no céu, não se multiplica mas se torna presente pelo Sacramento, nos vários lugares da terra, onde o Sacrifício Eucarístico é celebrado. E depois da celebração do Sacrifício, a mesma existência permanece presente no Santíssimo Sacramento, o qual no sacrário do altar é como o coração vivo de nossas igrejas. Por isso estamos obrigados, por um dever certamente suavíssimo, a honrar e adorar, na Sagrada Hóstia que os nossos olhos vêem, ao próprio Verbo Encarnado que eles não podem ver, e que, sem ter deixado o céu, se tornou presente diante de nós.
20. Confessamos igualmente que o Reino de Deus, começado aqui na terra na Igreja de Cristo, "não é deste mundo" (cf. Jo 18,36), "cuja figura passa" (cf. 1Cor 7,31), e também que o seu crescimento próprio não pode ser confundido com o progresso da cultura humana ou das ciências e artes técnicas; mas consiste em conhecer, cada vez mais profundamente, as riquezas insondáveis de Cristo, em esperar sempre com maior firmeza os bens eternos, em responder mais ardentemente ao amor de Deus, enfim em difundir-se cada vez mais largamente a graça e a santidade entre os homens. Mas com o mesmo amor, a Igreja é impelida a interessar-se continuamente pelo verdadeiro bem temporal dos homens. Pois, não cessando de advertir a todos os seus filhos que eles "não possuem aqui na terra uma morada permanente" (cf. Hb 13,14), estimula-os também a que contribuam, segundo as condições e os recursos de cada um, para o desenvolvimento da própria sociedade humana; promovam a justiça, a paz e a união fraterna entre os homens; e prestem ajuda a seus irmãos, sobretudo aos mais pobres e mais infelizes. Destarte, a grande solicitude com que a Igreja, Esposa de Cristo, acompanha as necessidades dos homens, isto é, suas alegrias e esperanças, dores e trabalhos, não é outra coisa senão o ardente desejo que a impele com força a estar presente junto deles, tencionando iluminá-los com a luz de Cristo, congregar e unir a todos Naquele que é o seu único Salvador. Tal solicitude entretanto, jamais se deve interpretar como se a Igreja se acomodasse às coisas deste mundo, ou se tivesse resfriado no fervor com que ela mesma espera seu Senhor e o Reino eterno.
21. Cremos na vida eterna. Cremos que as almas de todos aqueles que morrem na graça de Cristo - quer as que se devem ainda purificar no fogo do Purgatório, quer as que são recebidas por Jesus no Paraíso, logo que se separam do corpo, como sucedeu com o Bom Ladrão -, formam o Povo de Deus para além da morte, a qual será definitivamente vencida no dia da Ressurreição, em que estas almas se reunirão a seus corpos. 
22. Cremos que a multidão das almas, que já estão reunidas com Jesus e Maria no Paraíso, constituem a Igreja do céu, onde gozando da felicidade eterna, vêem Deus como Ele é (cf. 1Jo 3,2), e participam com os santos Anjos, naturalmente em grau e modo diverso, do governo divino exercido por Cristo glorioso, uma vez que intercedem por nós e ajudam muito a nossa fraqueza, com a sua solicitude fraterna.
23. Cremos na comunhão de todos os fiéis de Cristo, a saber: dos que peregrinam sobre a terra, dos defuntos que ainda se purificam e dos que gozam da bem-aventurança do céu, formando todos juntos uma só Igreja. E cremos igualmente que nesta comunhão dispomos do amor misericordioso de Deus e dos seus Santos, que estão sempre atentos para ouvir as nossas orações, como Jesus nos garantiu: "Pedi e recebereis" (cf. Lc 10,9-10; Jo 16,24). Professando está fé e apoiados nesta esperança, nós aguardamos a ressurreição dos mortos e a vida do século futuro.
Bendito seja Deus: Santo, Santo, Santo! Amém.

Pronunciado diante da Basílica de São Pedro,
em 30 de junho do ano de 1968.


19/10/2014 - Beatificação do Papa Paulo VI (Dom Orlando Brandes)


A Igreja exulta de alegria e gratidão pela beatificação do Papa Paulo VI. Os santos nos impelem à santidade. Paulo VI é o Papa da continuação, conclusão, recepção e aplicação do Concílio Vaticano II. Vamos conhecê-lo um pouco.
1. Um Papa original. Ele acolheu leigos e membros de outras religiões como ouvintes do Concílio. Criou o Secretariado para os não cristãos. Desfez-se da tiara, coroa com a qual os Papas eram coroados no início do Pontificado e deu o dinheiro aos pobres. Sua atenção pelos pobres aparece no Primeiro Sínodo sobre a justiça, mas, principalmente na Encíclica (Popularum Progressio, 1967). Com Paulo VI iniciou-se a evangelização dos Papas às nações do mundo através das viagens apostólicas. Foi o primeiro Papa a visitar a Terra Santa, a America Latina, a ONU, a Organização Internacional do Trabalho, a Índia, as Filipinas onde sofreu um atentado. Foi o primeiro Papa a sair da Itália para evangelizar.
2. Um Papa decididamente ecumênico. Beija os pés do Patriarca de Constantinopla, devolve a relíquia da cabeça de Santo André à Igreja Ortodoxa. Retirou a excomunhão entre católicos e ortodoxos. Visitou o Conselho Ecumênico das Igrejas em Genebra. Devolveu a bandeira da Turquia que foi retida pelos católicos desde a batalha de Lepanto (1530). Este foi um gesto de aproximação do Islão.
3. Um Papa de amor à Igreja. Este amor se manifesta na fidelidade ao Concílio Vaticano II. Soube carregar a pesada cruz do pós-concílio. Sofreu críticas oposições, rejeições, afrontas. Seu amor à Igreja tem sua raiz na espiritualidade da cruz. O famoso Credo de Paulo VI é um testamento sobre fé católica visto que apareceram muitas crises, dúvidas, heresias, noites escuras a respeito da fé. Surgiu o catecismo Holandês. Paulo VI é o Papa da fé. Sua primeira Encíclica foi sobre o diálogo no interior da Igreja e com o mundo. Com Paulo VI aprendemos a amar apaixonadamente a Cristo, a Igreja e o homem. Uma grande e gloriosa etapa do Pontificado de Paulo VI foi a publicação da Encíclica sobre a Evangelização no mundo contemporâneo (1975) a famosa “Evangelii Nuntiandi” que é um documento inesgotável, atual, inspirador. Trata-se de uma Carta Magna sobre a Evangelização. Paulo VI é o santo da renovação, atualização, inculturação da Igreja. Declarou Santa Tereza de Avila e Santa Catarina de Sena doutoras da Igreja.
4. Um Papa místico e sábio. Era visível em Paulo VI a ternura e a coragem, a fé e a transformação social, a interioridade e a profecia , a mística e a ciência, a santidade e diplomacia. Sua aparente fragilidade e fraqueza física são superadas pela singular força de vontade, pela extraordinária inteligência, pela intensa vida espiritual. Seu amor a Maria era grande. Declarou Maria, Mãe da Igreja, visitou Fátima e Éfeso na Turquia e escreveu a Exortação Apostólica Marialis Cultus sobre o culto a Maria.
5. Um Papa profeta da paz. Proclamou o Primeiro dia do Ano como dia Mundial da Paz. Foi à ONU como peregrino e profeta da paz. Grande amigo de Dom Helder Câmara sempre apoiou o amor preferencial aos pobres, a luta dos camponeses, operários, jovens. Enfrentou problemas em relação à guerra no Vietnã. Sua coragem profética foi um grito em prol da justiça no mundo como condição para a paz.
6. Um Papa marcado pela cruz. Paulo VI abraçou a cruz da rejeição e da incompreensão dentro e fora da Igreja. Sofreu ao iniciar a reforma da Curia Romana, ao confirmar o celibato dos padres, ao simplificar as vestes dos cardeais, bispos e mudar a estrutura do Vaticano como também ao abrir o coração da Igreja aos pobres. A reforma do Missal Romano, a aplicação dos Documentos do Concílio, a decisão de escrever a Encíclica Humanae Vitae sobre a paternidade responsável custaram-lhe muito sofrimento. Sofreu o “martírio cotidiano” pelo amor e fidelidade à Igreja. Em tudo isso, sua santidade pessoal foi comprovada.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Escuta meu grito que te suplica como um imenso clamor!

Tu, que és meu Senhor!
Tu, cuja vontade prefere à minha!
Não me é possível contentar-me com palavras
ao apresentar-te minha oração:
escuta meu grito que te suplica
como um imenso clamor!

(São Bruno)

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Vigia as profundidades de teu coração com extrema atenção


Vigia as profundidades de teu coração com extrema atenção.
Quando tomas consciência de um pensamento,
deves logo contradizê-lo e imediatamente, com pressa,
chama Cristo em tua defesa.
Mas o doce Jesus, enquanto ainda falas, dirá:
Eis, estou aqui (Is 58,9) em teu socorro.
Tu, porém, depois que todos esses inimigos,
por causa da oração, se afastaram,
fica novamente atento às profundidades de teu coração.
Eis, novamente, ondas mais numerosas que as anteriores,
uma depois da outra, sobre as quais a alma nada,
mas eis Jesus, ainda, despertado pelo discípulo (cf. Mt 8,23-26)
que, como Deus, repreende os ventos.
Recebido o alívio, mesmo que por apenas uma hora, ou por um momento,
dá glória àquele que te salvou e pensa na morte.
_________________

Filoteu, o Sinaíta

domingo, 12 de outubro de 2014

Virgem Mãe Aparecida, dai-nos sempre paz e amor no bom Jesus!


Virgem Mãe Aparecida, estendei o vosso olhar
sobre o chão da nossa, sobre nós e nosso lar.

Virgem Mãe Aparecida, nossa vida e nossa luz,
dai-nos sempre nesta vida, paz e amor no bom Jesus.

Estendei os vossos braços, que trazeis no peito em cruz,
para nos guiar os passos para o Reino de Jesus.

Virgem Mãe Aparecida, nossa vida e nossa luz,
dai-nos sempre nesta vida, paz e amor no bom Jesus.

Desta vida nos extremos trazei paz, trazei perdão, a nós,
Mãe, que vos trazemos com amor no coração.

Virgem Mãe Aparecida, nossa vida e nossa luz,
dai-nos sempre nesta vida, paz e amor no bom Jesus.


sábado, 11 de outubro de 2014

A atenção é uma paz do coração que nunca falha


A atenção é uma paz do coração que nunca falha,
estranha a todo pensamento,
paz que sempre e ininterruptamente respira e invoca
Cristo Jesus, Filho de Deus e Deus, somente ele.
Ela forma com ele para combater valorosamente os inimigos;
confessa os seus pecados somente a ele,
único que tem o poder de perdoá-los;
abraçando continuamente com a sua invocação o Cristo,
único que conhece os corações no íntimo,
a alma procura esconder de toda maneira aos homens
a doçura que ela sente e a luta interior pelo temor
de que o maligno nela faça entrar secretamente a malícia
e destrua uma obra assim bela.
____________________

Hesíquio, o Presbítero

A vigilância é o permanecer à porta do coração


A vigilância é o concentrar-se contínuo do pensamento
e o seu permanecer à porta do coração.
Os pensamentos, que chegam como ladrões,
ela os vê, e escuta o que dizem e fazem esses assassinos,
e que forma os demônios neles imprimiram
e ergueram como se fosse um monumento;
de fato, com essas fantasias procuram enganar o profundo do coração.
Essas ações próprias da vigilância,
conduzidas com diligência,
fazem-nos ter plena experiência, se o quisermos,
do combate espiritual.
_______________

Hesíquio, o Presbítero


Cuida de ti mesmo: vigia sobre tua alma e sobre teu corpo!


Cuida de ti mesmo (Dt 15,9), disse Moisés, cuida de tudo em ti, não de uma parte e relaxando outra. Com o que? Certamente através da mente. Com nenhuma outra coisa é possível estar atento a ti, em tudo. Vigia sobre tua alma e sobre teu corpo; graças a essa vigilância serás libertado facilmente das más paixões da alma e do corpo.

Portanto, fica atento a ti, vigia sobre ti, examina a ti mesmo, ou então, protege-te, examina-te e te perscruta. E assim submeterás a carne rebelde ao espírito e não haverá no teu coração uma palavra escondida (cf. Dt 15,9). Se o espírito de um poderoso, espíritos maus ou más paixões, te assalta, não abandones teu posto (cf. Qo 10,4), isto é, não deixes desguarnecida uma parte da alma ou do corpo.

Assim, portanto, estarás acima dos espíritos que de baixo te ameaçam e estarás na sinceridade diante daquele que perscruta os corações e os rins (cf. Sl 7,9) sem ser examinado porque tu mesmo os examinaste por primeiro. De fato se nos julgamos a nós mesmos, não seremos julgados (cf. 1Cor 11,31). É Paulo quem disse isso.
___________________

Gregório Pálamas


sábado, 4 de outubro de 2014

Jesus, meu amado, recorda-Te (S. Teresinha do Menino Jesus)


Recorda-Te de que, ao olhares para os campos,
O teu Coração Divino antecipava a ceifa (Jo 4,35)
Erguendo os olhos para a santa montanha
Murmuravas o nome de todos os teus eleitos
Para que a tua ceifa fosse logo feita.
A cada dia, meu Deus, imolo-me e peço
Que as minhas alegrias e prantos
Sejam pelos teus ceifeiros.
Recorda-Te. […]

Recorda-Te daquele Condenado de sofrimento esgotado
Que gritou, voltando-Se para o céu:
«Vereis o Filho do Homem sentado à direita do Poder» (Mc 14,62)
Que Ele era o Filho de Deus, ninguém queria acreditar (Mt 27,40ss),
Porque estava escondida a sua inefável glória.
Ó Príncipe da Paz (Is 9,5),
Eu reconheço-Te,
Eu creio em Ti!
Recorda-Te.

Recorda-Te de que, no dia da tua vitória,
Nos dizias: «Porque Me viste, acreditaste.
Felizes os que crêem sem terem visto» (Jo 20,29)
Na sombra da fé, amo-Te e adoro-Te
Ó Jesus! Para Te ver, espero em paz a aurora,
Que o meu desejo não é
Ver-Te aqui na Terra.
Recorda-Te.

Recorda-Te que, ao ires ter com o Pai,
Não podias deixar-nos órfãos
E, fazendo-Te prisioneiro na Terra,
 Soubeste esconder os teus raios divinos.
Mas a sombra do teu véu é luminosa e pura,
Pão vivo da fé, alimento celeste (Jo 6,35),
Ó mistério de amor!
O Pão nosso de cada dia, para mim,
És tu, Jesus!
____________________________________________

Santa Teresinha do Menino Jesus (1873-1897)
carmelita, doutora da Igreja

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Devemos acender o fogo divino em nós mesmos!


No começo, há luta e muito trabalho
para os que se aproximam de Deus.
Mas, depois disso, há uma indescritível alegria.
É como acender uma fogueira:
no início há muita fumaça e seus olhos lacrimejam,
mas depois você consegue o resultado desejado.
Assim devemos acender o fogo divino em nós mesmos,
com lágrimas e esforço.
________________________

Sinclética, Mãe do Deserto