quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Signore, togli da me il cuore di pietra



Dobbiamo amare Cristo come egli ci ha amati. Ci ha lasciato un esempio, perché ne seguissimo le orme (1 Pt 2, 21). Perciò, dice : « Mettimi come sigillo sul tuo cuore » (Ct 8, 6), cioè : "Amami come ti amo. Portami nella tua mente, nella tua memoria, nel tuo desiderio, nei tuoi sospiri, nei tuoi gemiti, nei tuoi singhiozzi. Ricordati, uomo, in quale stato ti ho creato, quanto ti ho innalzato al di sopra delle altre creature, a quale dignità ti ho elevato, come ti ho coronato di gloria e di onore, come ti ho fatto poco meno degli angeli e come ho posto tutto sotto i tuoi piedi (Sal 8). Ricordati non soltanto di tutto ciò che ho fatto per te, ma anche di quante prove e umiliazioni ho sofferte per te... E tu, se mi ami, mostralo ; ama, non a parole né con la lingua, ma coi fatti e nella verità... Mettimi come sigillo sul tuo cuore e amami con  tutte  le tue forze"... Signore togli da me il cuore di pietra, questo cuore duro... Dammi un cuore nuovo, un cuore di carne, un cuore puro (Ez 36, 26). Tu che purifichi i cuori, tu che ami i cuori puri, prendi possesso del mio cuore, e vieni ad abitarvi.
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Baldovino di Ford (+ 1190),
abate cistercense e vescovo
(Trattato 10 : PL 204, 515-516)

Senhor, arranca-me o meu coração de pedra



É a nossa vez de amarmos a Cristo como Ele nos amou. Ele deixou-nos o seu exemplo para que seguíssemos os seus passos (1Ped 2,21). Por isso disse: «Grava-Me como selo em teu coração» (Cant 8,6), quer dizer: «Ama-Me como Eu te amo. Traz-Me no teu espírito, na tua memória, no teu desejo, nos teus suspiros, nos teus gemidos, nos teus soluços. Lembra-te, homem, em que estado te criei, como te elevei acima das outras criaturas, a dignidade com que te enobreci, como te coroei de glória e de honra, como te coloquei um pouco acima dos anjos e como tudo submeti a teus pés (Sl 8). Lembra-te, não somente de tudo o que fiz por ti, mas também das provas e humilhações que sofri por ti. […] E, se Me amas, mostra-o; ama, não apenas em palavras e com a língua mas com obras e verdade. […] Grava-Me como um selo no teu coração e ama-Me com todas as tuas forças.» […] Senhor, arranca-me este coração de pedra, este coração duro […]; dá-me um coração novo, um coração de carne, um coração puro (Ez 36,26). Tu, que purificas os corações, Tu que amas os corações puros, toma posse do meu coração e vem morar nele.
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Balduíno de Ford (+ 1190),
abade cisterciense e bispo
(Tratado 10; PL 204, 515-516):

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

A educação no país do futebol







O país do futebol ouviu milhares de cidadãos clamando nas ruas por uma `educação padrão Fifa`.

Um primeiro olhar aos dados educacionais dos últimos dez anos nos permite comemorar o acesso ao ensino fundamental de 98% das crianças e adolescentes de 7 a 14 anos.

Sem dúvida, os dados mostram um enorme salto para uma educação de acesso quase universal.

No entanto, um olhar mais atento revela que ainda estamos longe de oferecer uma educação de qualidade. O esforço e o investimento do governo federal com o programa de alfabetização na idade certa é um indicador disso. Ou seja, ainda não resolvemos questões básicas para que nossa população esteja preparada para exercer sua cidadania.

De um lado, temos um maior acesso à educação, não só ao ensino fundamental, como também aos ensinos médio e superior. A maioria dos jovens que ingressaram na faculdade nos últimos anos consiste na primeira geração da família a estudar um curso superior. Além disso, pesquisas comprovam que quanto maior o grau de instrução, maior o nível salarial.

Por outro lado, as novas gerações querem protagonizar suas vidas, buscam mais autoria, diálogo e participação direta nos rumos da sociedade. Os jovens demandam novas estratégias de democracia direta.

Escutar o clamor das ruas por melhores condições de educação significa descortinar os vários entraves educacionais no Brasil, de modo que se possa superar o desafio de atender demandas de curto prazo, sem perder o contexto histórico e estrutural do país.

Nesse sentido, destaco dois aspectos que ainda entravam a melhoria da educação no Brasil.

Primeiro, as excludentes desigualdades educacionais: regionais (Norte/Nordeste de um lado e Sul/Sudeste de outro), entre a educação no campo e nas cidades e ainda as enormes diferenças entre as escolas situadas em regiões centrais e as da periferia das grandes cidades.

Segundo, a defasagem entre o currículo escolar e o mundo vivido cotidianamente pelas crianças, adolescentes e jovens.

O mundo contemporâneo exige uma educação que incorpore não apenas as novas tecnologias, mas também os temas da cidadania e que afetam o planeta. Sustentabilidade, equidade social, participação política, mobilidade urbana, empreendedorismo. Além de novos valores como cooperação, respeito, diálogo e cultura de paz.

As metodologias de ensino e aprendizagem precisam privilegiar o aprender fazendo, os games e as simulações. E, principalmente, demandam nova organização da escola aberta à comunidade e ao mundo.

Mudanças estruturais como essas dependem de se priorizar a educação como política pública nacional de fato e não somente nos discursos dos governantes.

A retórica dos políticos não convence mais os jovens que, assim como seus pais, sabem que é necessária uma educação de qualidade para alcançarem uma vida digna e bem-estar. Uma das conquistas dos milhares de jovens que foram às ruas é a instauração do debate político e social em torno da educação. As novas gerações estão colocando a questão como pauta na agenda política, econômica e social.
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Maria Alice Setubal - Folha de São Paulo - 31/07/2013 - São Paulo, SP