quarta-feira, 14 de março de 2012

A cruz e as cruzes


Dois extremos causam grande sofrimento e estão na origem de todos os conflitos e guerras: o fundamentalismo e o relativismo. Uma coisa é ter fundamento e outra é ser fundamentalista. Ter fundamento significa ter princípios, opções de vida, valores sobre com os quais é possível viver e sonhar. O fundamentalista, no entanto, quer impor sua visão a todos e todas. Esta é a origem de todos os totalitarismos e colonialismos. Por outro lado, pode-se admitir que tudo é relativo sem ser relativista. O relativista afirma que não se pode ter fundamento e que não há princípios. Tudo é fruto do consenso humano. Há quem afirme que o que hoje é certo amanhã pode não sê-lo. Não há nenhum valor pelo qual vale a pena lutar e que valha para todos em todos os tempos e lugares. O problema é que com freqüência todos nós, sem exceção, queremos relativizar o que é fundamental e, também, absolutizar o que é relativo. Se tudo é relativo, como se pode educar uma criança, um adolescente e um jovem?

A partir destes princípios podemos analisar a delicada questão da presença das cruzes nas repartições públicas. Se a presença da cruz num tribunal, por exemplo, significar a exclusão de todos os outros símbolos e açambarcamento de todas as expressões de valores e fundamentos, não há como justificar sua presença por cima da cabeça de quem julga. Esta visão acontece? Certamente que sim. No entanto, se a presença da cruz e do crucificado nas repartições transcender às religiões e às filosofias, pode-se justificar sua presença em qualquer lugar do Brasil.

A grande pregação de Cristo foi contra os totalitarismos e os colonialismos fruto do fundamentalismo. Ao abrir o Evangelho nos deparamos, por um lado, com um Jesus doce, meigo, acolhedor para com todas as pessoas marginalizadas e oprimidas. Todas elas estão incluídas na expressão “nos órfãos, nas viúvas e nos estrangeiros”. Há uma expressão no Evangelho de Jesus que aparece com pouca freqüência, mas que é fundamental: “Vem para o meio”. Isto significa que quem está à margem, na periferia, no deserto, nos porões do mundo deve-se desentocar para ser visto e trazido para o meio do mundo onde são tomadas as decisões. O Estado, qualquer estado, existe primordialmente para estas pessoas. A justiça existe para defender o direito dos pobres. Não basta defender a liberdade de expressão. É preciso defender a liberdade de ter casa, terra, comida, trabalho, lazer, educação, saúde, segurança para todos.

Por outro lado, ao abrir o Evangelho nos encontramos com um Jesus forte, vigoroso, terrível contra os poderosos, os corruptores, os legisladores impiedosos. Todos eles estão incluídos na expressão “escribas e fariseus”. É fácil ser prepotente com os fracos e subserviente com o poderio econômico, político, militar, religioso, financeiro. A cruz nas repartições públicas vem apontar justamente para o contrário. Se Jesus tivesse seguido a lógica dominante, não teria morrido na cruz.

A cruz nos tribunais e nas repartições pública reflete o pensamento e o fundamento da maioria do povo brasileiro, mesmo de quem não é seguidor de Jesus Cristo. O Estado brasileiro não pode ser adonado por uma minoria de espertos, de corruptos e corruptores, de privilégios e privilegiados. Para os pobres, celas comuns. Para os que têm curso superior, celas especiais. Para os pobres, fila. Para os poderosos, salas vip. Por que isto? Porque a Cruz de Cristo está por cima da cabeça dos legisladores, executores e julgadores de nosso país, mas não penetrou em seu pensamento e em seu coração.

A cruz de Cristo só incomoda os que não tiveram a oportunidade de aprofundar sua mensagem de respeito à dignidade da pessoa humana. A cruz de Cristo não incomoda, mas deveria incomodar os que a usam para explorar a boa fé dos “órfãos, das viúvas e dos estrangeiros”. Nem tudo o que as religiões fazem é sadio. Existe religiosidade patológica. Como toda realidade humana, também as religiões são simbólicas, mas podem ser diabólicas. Uma coisa, porém, é a religião e outra é a fé do povo brasileiro. Quando as duas se encontram há mais justiça, dignidade e paz.

Também contra o fundamentalismo é que não posso aceitar que este assunto seja tratado apenas pelos juízes. O direito não é a síntese de todas as visões de mundo. Também o educadores têm uma palavra que precisa ser escutada.

Mais que tirar as cruzes das repartições é importante empenhar-se para que o crucificado seja escutado. Importante não são as cruzes presentes no peito, nos carros, nas casas, nas repartições públicas e particulares. Importante são as cruzes que todos temos que carregar todos os dias. É melhor uma cruz com Jesus meigo, doce, acolhedor, mas também com Jesus lutador, corajoso, justo do que uma cruz vazia e sem apelo. Ela existe para afligir os consolados e consolar os aflitos.

O importante não é tirar a cruz e o crucificado dos tribunais. O importante é construir um direito e uma justiça que tire as cruzes dos crucificados de hoje.

Pe. Marcos Sandrini, SDB
Diretor da Faculdade Dom Bosco de Porto Alegre

terça-feira, 13 de março de 2012

Felicidade para um Sacerdote



Felicidade
para um Sacerdote
é poder
viver alguns momentos
da sua vida
em santidade!


(Doutora Lucetta Scaraffia, Università "La Sapienza" de Roma)

Il cuore (Victor Hugo)



Lo spirito si arricchisce di quanto riceve,
il cuore si arricchisce di quanto dà.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Do Tratado sobre a fuga do mundo, de Santo Ambrósio (bispo)



Nós morremos com Cristo
e trazemos em nosso corpo a morte de Cristo,
para que também a vida de Cristo se manifeste em nós.
Portanto, já não é a nossa própria vida que vivemos,
mas a vida de Cristo:
vida de inocência,
vida de castidade,
vida de sinceridade
e de todas as virtudes.
Também ressuscitamos com Cristo;
vivamos, pois, unidos a ele,
subamos com ele,
a fim de que a serpente
não possa encontrar na terra o nosso calcanhar
e feri-lo.

(Liturgia das Horas, Ofício das Leituras, Sábado, II Semana Quaresma)

Vedere i nostri errori!



Il fatto di non voler vedere i nostri errori
e di proiettarli sugli altri
è alle origini della maggior parte dei conflitti
ed è la più solida garanzia
el cattivo uso del potere,
di un uso destinato a produrre
ingiustizia, odio e persecuzione.

(Carl Gustav Jung)





sábado, 10 de março de 2012

sexta-feira, 9 de março de 2012

Que detalle Señor



Que detalle Señor has tenido conmigo
Cuando me llamaste cuando me elegiste
Cuando me dijiste que tú eras mi amigo
Que detalle Señor has tenido conmigo

Te acercaste a mi puerta pronunciaste mi nombre
yo temblato te dije aquí estoy Señor
Tú me hablaste de un reino, de un tesoro escondio
De un mensaje fraterno que encendió mi ilusión

Que detalle Señor has tenido conmigo
Cuando me llamaste cuando me elegiste
Cuando me dijiste que tú eras mi amigo
Que detalle Señor has tenido conmigo

Yo dejé casa y pueblo por seguir tu aventura
codo a codo contigo comencé a caminar
Han passado los años y aunque apriete el cansacio
paso a paso te sigo sin mirar hacia atrás